
Prevendo investir R$ 1.911.513.680,00 na ampliação da capacidade de embarque de minérios no porto Gregório Curvo, no distrito de Porto Esperança, às margens do Rio Paraguai, no município de Corumbá, a empresa LHG Mining será obrigada a pagar compensação ambiental de R$ 21.580.989,45 ao Instituto de Meio Ambiente de Mato Grosso do Sul (IMASUL).
O valor da compensação ambiental, conforme publicação do diário oficial do Governo do Estado desta sexta-feira, equivale a 1,129% do valor total previsto para ser investido na ampliação do porto, que passará a ter capacidade para embarque de até 15 milhões de toneladas de minérios por ano, triplicando a capacidade atual.
Atualmente, caminhões são utilizados para o transporte de todo o minério que chega ao porto, distante em torno de 50 quilômetros. Depois da modernização, conforme prevêo projeto, os caminhões serão eliminados e todo o transporte será por ferrovia.
Porém, a ferrovia está abandonada e a concessão acaba no final do ano. Por conta disso, mineradora LHG Mining, proprietária do porto do qual devem ser escoadas até 15 milhões de toneladas por ano, controlada pelos irmãos Joesley e Wesley Batista, admite a possibilidade de investir na modernização da ferrovia.
O investimento de R$ 1,9 bilhão no porto prevê a total automatização das operações de embarque e desembarque de minérios, mas todas as operações dependem do transporte ferroviário.
De acordo com Jamil Sebe, diretor de projetos da mineradora LHG Mining, a empresa já fez estudos para possíveis investimentos no trecho e "se for necessário investir, nós vamos investir", declarou Jamil Sebe durante a audiência pública em Corumbá no dia 11 de junho deste ano.
Os irmãos Batista estão investindo em torno de R$ 4 bilhões na ampliação da extração de minérios de 12 milhões para 25 milhões de toneladas por ano em Corumbá,. Além disso, estão investindo em torno de R$ 3,7 bilhões na aquisição de 400 barcaças e 15 empurradores para escoar a produção pela hidrovia do Rio Paraguai.
E, sem a revitalização dos cerca de 46 quilômetros da ferrovia entre a região das minas e o porto Gregório Curvo, os demais investimentos ficarão inviáveis. A última viagem de trem com minérios entre o distrito de Antônio Maria Coelho e o porto ocorreu em 1º de dezembro do ano passado. Depois disso, cerca de 330 carretas passaram a ocupar a BR-262 diariamente entre as minas e o porto.
A ampliação da capacidade de embarque no porto deve ser finalizada em três anos, caso o projeto efetivamente saia do papel. Os investimentos da ordem de R$ 1,9 bilhão neste projeto prometem colocar fim ao problema crônico da poeira que atormenta moradores do distrito de Porto Esperança depois que as carretas começaram a circular na estrada de acesso ao distrito.
No porto será construída uma pera ferroviária e um virador de vagões, o primeiro do Estado. Este virador, conforme a LHG Mining, será dentro de um galpão fechado e com isso boa parte do problema da poeira já será eliminado. O carregamento nas barcaças também será todo automatizado, o que também será fundamental para redução da poeira, conforme Jamil Sebe.
Porém, como esta ampliação só deve ser concluída no fim de 2029, até lá serão mantidos as atividades de quatro caminhões pipa que atuam na região para umidificar a estrada de acesso ao porto e assim reduzir os danos causados por esta poeira, uma das principais reclamações dos moradores do distrito de Porto Esperança.
Além de modernizar o porto, Jamil Sebe também destaca a aquisição barcaças que terão condições de navegar em águas menos profundas que as atuais. Hoje, elas precisam 9 pés (2,7 metros de profundidade) para descer pela hidrovia. As novas, conseguirão flutuar com seis pés de profundidade, ou cerca de 1,8 metro.
Ou seja, os novos equipamentos precisarão quase um metro a menos de água para fazer o transporte. Sendo assim, explica o representante da LHG, cairá a necessidade de fazer as chamadas dragagens de manutenção. Hoje, em pelo menos 17 locais precisaria ser feita esta dragagem (remoção de areia de um local para outro no fundo do leito) para permitir o transporte de minérios em períodos de estiagem.
FERROVIAS
Além de admitir a possibilidade de investir na revitalização dos 46 quilômetros da frerrovia, a LHG também destinará boa parte do investimento de R$ 1,9 bilhão em estrutura ferroviária.
"O principal escopo do projeto consiste na implantação de pera ferroviária, sistema de virador de vagões, transportadores de correia, novo pátio de estocagem de produtos e píer com sistema de embarque de minério", diz trecho do estudo de impacto ambiental.
"Os vagões carregados de minério chegarão pela Ferrovia e ingressarão na Pera Ferroviária, onde passarão pelo Virador de Vagões para descarregamento automático dos vagões", explica o documento da LHG Mining.
E, próximo da Mina de Santa Cruz, de onde saem os minérios levados para Porto Esperança, a mineradora também está prevendo a instalação de uma estrutura ferroviária semelhante para agilizar o embarque dos minérios nos vagões sem a necessidade de manobras de desacoplagem dos vagões.
Além da pera próximo da mina, a empresa pretende construir uma espécie de "estrada rolante" de 12 quilômetros para transportar os minérios entre o local de extração até a margem da ferrovia.
Por NERI KASPARY
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