Domingo, 10 de Maio de 2026

DATA: 09/05/2026 | FONTE: campograndenews Estado prepara hospitais e postos para impactos das mudanças climáticas Discussões envolvem desde vigilância epidemiológica até funcionamento de unidades em crises ambientais

Ondas de calor, queimadas, enchentes e até secas prolongadas já deixaram de ser assunto “do meio ambiente” e passaram a bater na porta dos hospitais e postos de saúde. Diante desse cenário, Mato Grosso do Sul começou a montar um plano para tentar preparar o SUS para os impactos das mudanças climáticas.

A proposta começou a ser desenhada em um encontro realizado no último mês, em Campo Grande, reunindo técnicos da saúde estadual, representantes do Ministério da Saúde e órgãos parceiros. A ideia é criar estratégias para evitar que eventos extremos desorganizem o atendimento à população, principalmente em situações como aumento de doenças respiratórias durante queimadas, desidratação em ondas de calor e riscos sanitários após enchentes.

O plano faz parte do programa AdaptaSUS, desenvolvido pelo Ministério da Saúde, e pretende mapear vulnerabilidades em Mato Grosso do Sul para definir como o sistema público deve reagir em situações críticas. Participaram das discussões áreas ligadas à atenção básica, vigilância em saúde, saúde ambiental, tecnologia, saúde indígena e monitoramento climático.

Entre os participantes estavam técnicos do Ministério da Saúde, representantes do Cemtec (Centro de Monitoramento do Tempo e do Clima) e do Lacen (Laboratório Central de Saúde Pública), além de setores estratégicos do SUS estadual.

Nas discussões, um dos pontos centrais foi a preocupação com a capacidade de resposta do sistema de saúde diante de eventos que têm se tornado mais frequentes no Estado. Não por acaso. Mato Grosso do Sul vive uma sequência de anos marcados por calor extremo, fumaça de queimadas e longos períodos de estiagem. Em algumas regiões, o cenário já pressiona unidades de saúde com aumento de atendimentos por problemas respiratórios e agravamento de doenças.

Coordenador da Vigilância em Saúde Ambiental e Toxicológica do Estado, Karyston Adriel Machado da Costa afirmou que o desafio será fortalecer a estrutura local do SUS para lidar com essas situações. Já a coordenadora regional do Cerest (Centro de Referência em Saúde do Trabalhador), Madalena da Silva Xavier, destacou os impactos do clima na saúde dos trabalhadores, principalmente os expostos ao calor intenso e à fumaça.

A construção do plano ainda está na fase inicial. Técnicos agora vão identificar os principais riscos climáticos em cada região do Estado para definir prioridades e medidas práticas.

 

Por Kamila Alcântara

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