
Cerca de 1,1 milhão de peixes que estavam alojados em seis reservatórios morreram, na quinta-feira (26.fev), após uma falha na energia elétrica em Tupãssi, no oeste do Paraná. A perda soma mais de 900 mil quilos de tilápias, e o prejuízo é estimado em R$ 9 milhões pelo piscicultor Paulo Michelon.
“Foi uma tragédia anunciada”, resumiu o produtor à Globo Rural. “O pior de tudo é o psicológico da gente." Segundo ele, os peixes estavam prontos para o abate.
A morte dos peixes aconteceu quando equipamentos da rede elétrica queimaram, paralisando o funcionamento dos aeradores e comprometendo a oxigenação da água, o que culminou na mortalidade dos animais. Na sexta-feira (27), os trabalhos de recolhimento dos peixes estavam em andamento.
Michelon afirmou que enfrentava oscilações na geração de energia da propriedade desde o início do ano, com intensificação na última semana. O produtor vinha protocolando, desde janeiro, solicitações para restabelecimento de energia junto à Companhia Paranaense de Energia (Copel), empresa responsável pela distribuição. Ele também registrou uma reclamação na ouvidoria da Agência Nacional de Energia Elétrica (Aneel).
Sem solução por parte das empresas, o produtor entrou com um pedido na Justiça, que determinou, no dia anterior à morte dos peixes, que a Copel tomasse providências, em 48 horas, para a regularização do fornecimento de energia elétrica na propriedade, sob pena de multa diária de R$ 2 mil, limitada a R$ 60 mil inicialmente.
Um laudo técnico com registros de medição, resultado de perícia contratada pelo produtor, foi apresentado ao Judiciário, apontando que a tensão elétrica entregue na propriedade estava abaixo do mínimo exigido pela Aneel, que é de 220 volts.
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Prejuízo com a morte de tilápias é calculado em cerca de R$ 9 milhões — Foto: Arquivo pessoal
Na liminar, o juiz Luiz Fernando Montini afirmou que a queda e interrupção de energia no Paraná é “fato público e notório” e que é “direito essencial ao consumidor de ter uma eficiente prestação no fornecimento de energia elétrica, sem oscilações ou apagões abruptos, que fulminam a economia da região essencialmente ligada ao agronegócio”.
O produtor afirmou que atua de maneira independente e que não há seguro para esse tipo de perda. “Ressarcir o prejuízo é o mínimo que eles deverão fazer, mas o que não pode é continuar desse jeito. Que se resolva, que se façam investimentos no meio rural e na cadeia de produção de alimentos do Paraná”, disse Michelon.
Por meio de nota, a Copel informou que a ação judicial tramita em segredo de Justiça e que ainda não foi intimada sobre a decisão mencionada. “Assim que for oficialmente notificada, a companhia analisará o teor da determinação e adotará todas as providências cabíveis”, disse a empresa.
A reportagem fez contato com a Aneel, mas não recebeu retorno até a publicação desta reportagem.
Por Carolina Mainardes — Ponta Grossa (PR)
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