
A empresa JBS anunciou nesta sexta-feira (20) que vai retomar os abates nas sete unidades frigoríficas em Mato Grosso do Sul. Há três dias o grupo decidiu suspender as operações em razão de bloqueio de bens no valor de R$ 730 milhões determinado pela Justiça após pedido da Assembleia Legislativa. Apesar de acordo que desbloqueará os bens, outra ação judicial ainda determina o bloqueio financeiro.
A retomada dos trabalhos se dará em razão de decisão da Assembleia Legislativa, mais especificamente da CPI da JBS, de incluir acordo na ação judicial que implicou no bloqueio financeiro. Dessa forma, provavelmente o judiciário desbloqueará os bens da empresa.
Outra ação que também pede o impedimento dos bens, formulada por dois advogados, não é assunto do acordo, mas a empresa acredita que essa ação popular pode ficar prejudicada após a retirada do primeiro processo que resultou no bloqueio.
De acordo com o governador Reinaldo Azambuja (PSDB), a empresa se comprometeu a manter todos os empregos – cerca de 15 mil no Estado – e também deixará imóvel em garantia a possível indenização que possa ser imputada à JBS pelo Governo. Esse imóvel seria de posse do grupo J&F Investimentos.
Ainda segundo Reinaldo, o valor que a empresa terá de ressarcir os cofres estaduais ainda está sendo calculado. A Sefaz (Secretaria de Estado de Fazenda) já teria notificado a empresa sobre a devolução.
A expectativa é que a minuta que detalhará o acordo e que será incluído na ação por parte dos deputados e as garantias da empresa seja assinada na segunda-feira (23).
O grupo JBS informou que vai retomar a compra e abates de bovinos no dia seguinte, terça-feira, em ritmo normal. Presidente da divisão de carnes da JBS, Renato Costa, informou que todos os setores do grupo J&F Investimentos manterão o funcionamento normalmente no Estado.
Sindicalista que representa os trabalhadores, Wilson Gregório, disse que os protestos dos funcionários da empresa representam vitória. “Vamos passar o final de semana tranquilo, sem medo de perder o emprego”, disse.
Antes mesmo da empresa anunciar que suspenderia compra e abates de bovinos, trabalhadores da JBS já se movimentavam para pressionar deputados que compõem a CPI em retirar a ação.
Nesta quinta-feira (19), centenas de trabalhadores lotaram a Assembleia e o Centro de Campo Grande em protesto. Cerca de 40 ônibus foram utilizados para transportar os funcionários. O temor dos trabalhadores era o desemprego. Na tentativa de amenizar a revolta dos funcionários, deputados passaram o dia reunidos com sindicatos e representantes da JBS.
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