Quarta-Feira, 07 de Outubro de 2026

DATA: 07/10/2026 | FONTE: TanaMídia Naviraí “Golpe da Falsa Acompanhante”; cinco são indiciados pela Polícia Civil de Naviraí

A Polícia Civil, por intermédio da Seção de Investigações Gerais da Delegacia Regional de Polícia de Naviraí (SIG/DRP), concluiu inquérito policial instaurado para apurar um esquema de extorsão praticado a partir de anúncios falsos de acompanhantes publicados na internet.

Ao final das investigações, cinco pessoas foram indiciadas pela prática de extorsão cometida por duas ou mais pessoas, e, após a remessa dos autos ao Poder Judiciário, o Ministério Público Estadual ofereceu denúncia contra todos os indiciados pelo mesmo delito.

O caso teve início após a vítima procurar a Polícia Civil e relatar que havia localizado na internet um anúncio de uma suposta acompanhante. Após o contato por WhatsApp, foi solicitado o pagamento de R$ 300,00 via PIX. A mulher anunciada, entretanto, não foi localizada no endereço indicado e o serviço não chegou a ser realizado. Na sequência, a vítima passou a receber mensagens de outro número telefônico, cujo interlocutor afirmava pertencer a um “comando”, dizia possuir seus dados pessoais e fazia ameaças contra ela e seus familiares, exigindo novos pagamentos. Com medo, a vítima transferiu mais R$ 70,00, mas as ameaças continuaram.

A partir do registro da ocorrência, a Polícia Civil iniciou uma série de diligências de campo, pesquisas em fontes abertas, requisições a empresas de telefonia, instituições financeiras, plataformas digitais e sites de anúncios, além de oitivas e tentativas de localização dos envolvidos.

Entre as primeiras diligências, policiais estiveram no endereço indicado pela suposta acompanhante e verificaram que moradores do local desconheciam pessoa com aquele nome. Um dos residentes relatou, inclusive, que outro homem já havia comparecido anteriormente ao mesmo endereço procurando pela mesma mulher, revelando a suspeita de que o local vinha sendo utilizado como parte do artifício empregado para atrair potenciais vítimas.

As pesquisas realizadas pela equipe revelaram ainda que o mesmo número telefônico utilizado pela falsa acompanhante aparecia em anúncios publicados em diferentes cidades e Estados, com nomes e fotografias distintos. Foram identificados perfis anunciados como “Camila”, em Naviraí, “Amanda Rios”, em Ponta Porã, “Fernanda”, em Cosmópolis/SP, e “Pérola Negra”, no Rio de Janeiro/RJ. A reutilização do mesmo contato em diferentes identidades virtuais tornou-se um dos elementos relevantes para a compreensão do modus operandi investigado.

Mediante requisição policial, a plataforma utilizada para parte dos anúncios forneceu informações cadastrais que permitiram avançar na identificação dos envolvidos. Paralelamente, a operadora de telefonia informou a titularidade das linhas usadas tanto no contato inicial com a vítima quanto no posterior envio das ameaças. A investigação também identificou vínculos digitais e financeiros relacionados a esses números.

No campo financeiro, a instituição bancária confirmou que as duas transferências realizadas pela vítima ingressaram em conta pertencente a um dos investigados. Também foram obtidos dados cadastrais e outros elementos relacionados à abertura da conta. Outras consultas revelaram conexões entre os investigados, os números telefônicos, os perfis empregados nos anúncios e a conta utilizada para receber o dinheiro.

Ao término do inquérito, foram indiciados Davi de 31 anos, Vinício  de 27 anos, Igor, de 28 anos, Jessica de 31 anos e Eduardo, de 25 anos, pela prática, em tese, do crime de extorsão cometida por duas ou mais pessoas, previsto no artigo 158, caput e §1º, combinado com o artigo 29 do Código Penal. A decisão de indiciamento individualizou os elementos de conexão atribuídos a cada investigado, envolvendo a titularidade e utilização dos números telefônicos, o perfil virtual empregado na captação da vítima, o vínculo financeiro com a linha utilizada nas ameaças e o recebimento dos valores provenientes da ação criminosa.

Concluídos os trabalhos de Polícia Judiciária, o inquérito foi relatado e encaminhado ao Ministério Público e ao Poder Judiciário. Após analisar os elementos produzidos pela Polícia Civil, a 3ª Promotoria de Justiça de Naviraí ofereceu denúncia contra os cinco indiciados.

Essa modalidade criminosa vem sendo registrada em diferentes regiões do país, sendo denominado “golpe da falsa acompanhante” ou “golpe do falso cafetão”. Investigações policiais recentes demonstram a ocorrência desse mesmo modus operandi em diferentes Estados (Minas Gerais, Distrito Federal e Mato Grosso do Sul), inclusive com grupos estruturados e divisão de tarefas, utilizando anúncios de acompanhantes, dados pessoais das vítimas, ameaças atribuídas a facções criminosas e pagamentos por PIX.

 

A repetição desse padrão em diferentes localidades demonstra a importância de as vítimas não realizarem novos pagamentos quando submetidas a ameaças, preservarem mensagens, áudios, números telefônicos, comprovantes bancários e demais evidências digitais e procurarem imediatamente a Polícia Civil. O rápido registro da ocorrência aumenta a possibilidade de rastreamento das contas, linhas telefônicas, perfis e demais instrumentos empregados pelos criminosos.

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