
Reeleito governador de Mato Grosso do Sul com 67,07% dos votos, o equivalente a 914.323 votos, Eduardo Riedel (PSDB) afirmou nesta segunda-feira (05.out), em entrevista a TV Morena, que o próximo mandato terá como prioridades a continuidade dos investimentos em infraestrutura, o fortalecimento da educação e a redução da pobreza no estado.
Segundo Riedel, os três meses que restam até o fim do ano serão usados para preparar a próxima gestão. O governador disse que pretende revisar processos internos, discutir mudanças na estrutura administrativa e definir a composição do governo que começa em janeiro.
Apesar da expectativa sobre uma primeira medida para o novo mandato, Riedel afirmou que ainda não há uma ação específica definida para 1º de janeiro.
"Esses três meses nós vamos preparar", afirmou.
O governador também destacou que 2027 será marcado pelos 50 anos de criação de Mato Grosso do Sul. Para ele, o aniversário será uma oportunidade de avaliar o desenvolvimento do estado e planejar os próximos anos.
Ao falar sobre um projeto prioritário para os próximos quatro anos, Riedel apontou a educação como uma das principais áreas.
Segundo ele, a intenção é ampliar políticas de educação em tempo integral e profissionalização dos estudantes, associando esses investimentos ao desenvolvimento econômico.
O governador afirmou que o objetivo é aumentar a renda da população, reduzir a pobreza e eliminar a pobreza extrema em Mato Grosso do Sul.
Para Riedel, a combinação entre educação e desenvolvimento econômico é uma das principais ferramentas para incluir mais pessoas no mercado de trabalho e melhorar a renda.
Riedel afirmou que pretende revisar a estrutura administrativa antes do início do novo mandato. Ele não confirmou cortes ou fusão de secretarias, mas disse que mudanças são esperadas.
Segundo o governador, áreas como educação, saúde e segurança têm estruturas mais robustas, mas outros setores, como o sistema prisional, as políticas sociais e a relação com a universidade, serão avaliados.
"Não sei se haverá cortes, mas mudanças estruturais é natural que ocorram", disse.
Sobre a participação dos partidos que fizeram parte da aliança que garantiu sua reeleição, Riedel afirmou que não pretende distribuir cargos simplesmente para contemplar legendas.
Segundo ele, a escolha será baseada na capacidade das pessoas de cumprir o plano de governo. O governador disse, porém, que integrantes dos partidos aliados poderão participar da administração caso tenham perfil e possam contribuir para a gestão.
Riedel também não descartou o retorno de integrantes do primeiro escalão que disputaram as eleições e não foram eleitos. Entre os nomes citados estão Jaime Verruck, Viviane Martins, Luísa e Marcelo Miranda.
Ele afirmou que cada um terá de decidir se pretende continuar no governo e que a nova composição ainda será discutida.
Contigenciamento deve continuar
O governador também falou sobre a situação financeira do estado e afirmou que o governo vem enfrentando uma queda na arrecadação.
Riedel citou o cenário econômico do país e mudanças na arrecadação relacionada ao gás como fatores que impactaram as receitas de Mato Grosso do Sul.
Segundo ele, o governo continuará analisando despesas e receitas de cada área para preservar o caixa sem perder a capacidade de investimento.
Riedel afirmou que Mato Grosso do Sul tem uma situação financeira que permite manter os investimentos, mas que será necessário realocar recursos e buscar maior eficiência nos gastos.
Rodovias, ferrovia e hidrovia
A infraestrutura deve continuar entre as principais áreas de investimento no segundo mandato.
Riedel afirmou que obras nas rodovias continuarão e destacou projetos de duplicação de trechos da BR-262 e da BR-060.
Segundo ele, o trecho da BR-262 entre Campo Grande e Ribas do Rio Pardo já está previsto no processo de concessão para ser duplicado.
Também está sendo elaborado um projeto para a duplicação dos trechos entre Campo Grande e Sidrolândia e entre Campo Grande e Aquidauana. A previsão é que o projeto fique pronto até o fim deste ano.
O governador afirmou que pretende mobilizar a bancada federal e buscar junto ao governo federal a execução das obras.
Riedel também colocou a ferrovia entre os principais projetos para os próximos quatro anos.
Ele afirmou que pretende trabalhar junto ao governo federal para que o projeto avance e defendeu que o leilão da nova ferrovia seja realizado ainda no atual mandato presidencial.
O governador afirmou que Mato Grosso do Sul transportou cerca de 170 milhões de toneladas de cargas nos últimos dois anos, principalmente pelas rodovias, e disse que o estado precisa mudar essa dependência.
"A ferrovia é o canal para que isso aconteça", afirmou.
Segundo Riedel, a hidrovia também avançou e já movimenta cerca de 14 milhões de toneladas de cargas, ante 3 milhões a 4 milhões anteriormente.
O governador disse que ainda são necessários investimentos em pontos de dragagem para melhorar a navegação e afirmou que espera autorizações do governo federal para que as obras possam avançar.
Sobre a Rota Bioceânica, Riedel afirmou que a ponte internacional está dentro do cronograma e deve ser concluída ainda em 2026.
O principal atraso, segundo ele, está nos acessos à ponte.
A expectativa do governador é que os recursos para essa obra sejam retomados após as eleições federais e que o acesso fique pronto em 2027.
Com isso, Riedel afirmou que a Rota Bioceânica poderá ser efetivamente colocada em operação no próximo ano.
Questionado sobre as operações que atingiram integrantes do governo, incluindo a investigação que levou à prisão de um delegado e policiais suspeitos de desviar drogas apreendidas, Riedel afirmou que não admite desvios dentro da administração.
Ele disse que pretende continuar fortalecendo os órgãos de controle, como a Controladoria-Geral do Estado e as corregedorias das forças de segurança, além de manter a atuação conjunta com o Ministério Público e o Gaeco.
Segundo Riedel, servidores envolvidos em situações desse tipo são exonerados ou afastados quando são servidores efetivos, permitindo que as investigações ocorram sem interferência do governo.
"Eu nunca compactuei", afirmou.
Riedel também confirmou que pretende participar ativamente da campanha de Flávio Bolsonaro (PL) no segundo turno da eleição presidencial.
Segundo ele, uma reunião com o candidato e a equipe de campanha deve ocorrer nesta semana.
O governador afirmou que pretende trabalhar ao lado dos senadores eleitos Reinaldo Azambuja e Capitão Contar na mobilização pela candidatura de Flávio.
Riedel justificou o apoio dizendo considerar necessário mudar os rumos do governo federal e afirmou que o estado poderá colaborar com a campanha nas três semanas que antecedem o segundo turno.
Ao resumir os planos para os próximos quatro anos, Riedel afirmou que pretende manter o ritmo de investimentos e avançar principalmente em educação, infraestrutura e desenvolvimento econômico.
O governador disse que o objetivo é fazer Mato Grosso do Sul continuar crescendo, gerar oportunidades e ampliar a renda da população.
"Esse é o nosso foco, através de políticas públicas, principalmente na educação e no desenvolvimento", afirmou.
Por Mirian Machado, g1 MS e TV Morena — Mato Grosso do Sul
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