Quarta-Feira, 23 de Setembro de 2026

DATA: 23/09/2026 | FONTE: campograndenews Tal mãe, tais filhas: herdeiras de Laika agora também são bombeiras Cristal, Kiara e Akila conquistaram certificação e seguem os passos da cadela que atua em buscas em MS

Laika ainda nem se aposentou, mas já deixou três herdeiras prontas para continuar seu trabalho no Corpo de Bombeiros de Mato Grosso do Sul. Cristal, Kiara e Akila são filhas da cadela que atua há anos em operações de busca e salvamento e agora também estão aptas para entrar em ação.

As três conquistaram certificação nacional para atuar nas operações. Hoje (23.set) o Lado B foi até o setor de operações com cães do Corpo de Bombeiros para conhecer de perto a nova geração da família.

Laika está com 7 anos e meio e continua na ativa. A previsão é que possa trabalhar até aproximadamente os 10 anos, dependendo das condições físicas e avaliações feitas pela equipe.

Segundo a tenente Maria Ester, chefe do setor de operações com cães, as filhotes cresceram acompanhando de perto o trabalho da mãe.

“As filhotes foram, acompanharam os treinos da Laika até pra ver como que aprender na execução, né, como que é feito aquilo ali.”

Laika também passou recentemente por sua última certificação antes da aposentadoria. “Ela foi agora, fez as últimas provas, deu um show nas provas e vai trabalhar aí mais um tempinho com a gente”, conta a tenente.

Entre as operações da carreira está a atuação no Rio Grande do Sul. Em Mato Grosso do Sul, ela também participou de diferentes buscas por pessoas desaparecidas.

Agora, parte desse trabalho começa a passar para as filhas. Kiara trabalha com o soldado Francisco. Akila tem como condutor o soldado Humberto e não participou da visita porque o militar estava de férias. Já Cristal ficou justamente com quem conhece Laika melhor: o sargento Kalunga, condutor da mãe.

Para ele, começar a trabalhar com Cristal foi uma maneira de preparar a continuidade antes mesmo da aposentadoria de Laika.

“A gente precisava dar continuidade a esse legado da Laika, então a experiência dela, o trabalho é ótimo, então a gente tirou a cria, teve as filhotes, e eu já pensando na futura aposentadoria da Laika, vi a necessidade também de já começar o treinamento com outra”, explica.

Para atuar nas operações, os cães precisam passar por uma certificação dividida em diferentes etapas. (Foto: Bruna Melo)

Cristal está aprendendo uma técnica diferente da utilizada pela mãe, segundo Kalunga, e por isso sua formação exige mais tempo.

A relação entre cão e condutor não termina quando o expediente acaba. Os animais vivem na casa dos próprios militares, o que ajuda a criar um vínculo entre os dois.

“Com essa doutrina do cão em casa, a ligação é muito grande, o vínculo acaba ficando muito maior, então elas acabam sempre me procurando, sempre querendo estar junto”, conta Kalunga.

Até as férias funcionam de um jeito diferente. Akila está afastada porque seu condutor está de férias, mas continua em casa com ele e fazendo atividades.

“Na verdade, falando bem a verdade, quem precisa das férias é um militar, porque o cão tá lá na casa”, brinca o sargento.

O treinamento é pensado para que a busca seja prazerosa para os animais. “Lembrando que esse trabalho, na verdade, ele é mais pra nós, porque pro cão é uma deliciosa brincadeira.”

Quando chega a hora de uma ocorrência, porém, elas sabem o que fazer. Ao receberem o comando de busca, deixam a atenção no condutor de lado e começam a procurar a pessoa desaparecida.

Nem todos os filhotes de uma ninhada são automaticamente destinados ao trabalho. Primeiro, os Bombeiros avaliam características e o perfil de cada animal. Os próprios militares também passam por seleção e treinamento antes de se tornarem condutores.

No caso da ninhada de Laika, alguns irmãos seguiram outros caminhos. Há cães que foram para famílias civis, enquanto outros trabalham com Bombeiros e forças policiais de outros estados, entre eles Rio de Janeiro e Santa Catarina.

Além de Laika e das três filhas, o setor de operações com cães em Mato Grosso do Sul conta com Mali, conduzida pelo sargento Medeiros.

Como funciona a certificação -  Para atuar nas operações, os cães precisam passar por uma certificação dividida em diferentes etapas. Segundo o soldado Francisco, condutor de Kiara, primeiro são avaliadas as condições de saúde do animal, com exames de sangue e conferência das vacinas. Depois vêm os testes de obediência e destreza, com atividades que envolvem túnel, escada, balanço e comandos executados junto ao condutor.

A última etapa coloca o cão diante de uma situação parecida com a encontrada em uma ocorrência real. Em uma estrutura que simula um local colapsado, o animal precisa encontrar vítimas, que podem estar na superfície ou soterradas. O desafio ainda inclui distrações, como pessoas trabalhando, comida e outros animais. “Ela pode até ver, mas não pode dar moral ou perder o tempo ali, ela tem que ir atrás da vítima”, explica Francisco.

Além de bombeiras, cadelas esbanjam fofura e encantam por onde passam

Por Thailla Torres e Bruna Melo

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