Quinta-Feira, 10 de Setembro de 2026

DATA: 09/09/2026 | FONTE: Douradosagora Investigados por desvio de R$ 4 milhões na saúde de Nioaque seguem presos Ex-secretários municipais pediram habeas corpus ao TJMS; Ministério Público aponta fraude em licitações, exames sem comprovação e repasses de valores entre envolvidos

Quase um mês depois da deflagração da Operação Auditus II, os cinco investigados por um suposto esquema de desvio de cerca de R$ 4 milhões destinados à saúde pública de Nioaque continuam presos.

Dois ex-secretários municipais recorreram ao Tribunal de Justiça de Mato Grosso do Sul para tentar deixar a prisão. Márcia Cristiane Missioneira Jara, que comandava a Secretaria Municipal de Saúde, e Vagner Alves Ribeiro Guimarães, ex-secretário de Governo, ingressaram com pedidos de habeas corpus.

Os pedidos serão analisados pelo desembargador Zaloar Murat Martins de Souza, relator dos processos na 3ª Câmara Criminal do TJMS.

Também permanecem presos o médico Robson Roosevelt Ferreira Aguilar, a filha dele e sócia da clínica, Bianca Fernandes Leite Aguilar, além da gerente administrativa Tatiane Barbosa de Souza Grubert.

A investigação conduzida pelo Gecoc aponta que a Policlínica Rota Bioceânica, antiga Prontomed, teria sido utilizada no esquema. Conforme o Ministério Público, a empresa recebeu recursos da Prefeitura de Nioaque por exames que seriam fictícios ou não tiveram a realização comprovada.

Segundo a apuração, as irregularidades teriam começado ainda na preparação das licitações. A clínica investigada teria participado da elaboração de cotações usadas para dar aparência de concorrência nos processos de contratação.

 

 

O MPMS sustenta que Tatiane teria produzido ou obtido orçamentos atribuídos a empresas concorrentes, com documentos e assinaturas supostamente falsificados. Entre os indícios reunidos estão registros duplicados, assinaturas de pacientes e profissionais de saúde que teriam sido falsificadas, inclusão de pessoas já mortas e incompatibilidades entre os pacientes e os procedimentos lançados.

Ainda conforme a investigação, após os pagamentos feitos pela prefeitura, valores saíam da conta da clínica em transferências para a gerente administrativa. Em seguida, parte do dinheiro seria sacada ou repassada a outras pessoas, incluindo os dois ex-secretários.

A decisão que manteve as prisões menciona transferências de R$ 10 mil, R$ 65 mil e R$ 100 mil, entre outros repasses sob apuração.

 

 

 

Por Thiago Marques

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