
Em meio à uma grave crise institucional marcada por vazamentos e trocas de acusações entre ministros, o Supremo Tribunal Federal (STF) terá parte do futuro definido nas urnas.
Isso porque, quem vencer a eleição presidencial de 2026 e assumir o Palácio do Planalto em 2027, poderá indicar até quatro novos ministros para a Corte até 2030 — um poder capaz de redesenhar a maioria do tribunal, mudar o equilíbrio interno e influenciar diretamente os rumos do Judiciário nos próximos anos.
O número incomum de trocas tem uma explicação dupla. Primeiro, o Senado rejeitou a indicação feito pelo presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) para a vaga aberta na Corte e o preenchimento foi adiado. Depois, o próximo mandato presidencial vai coincidir com a aposentadoria compulsória de três ministros aos 75 anos.
A regra é da chamada PEC da Bengala, em vigor desde 2015. Antes, o limite era de 70 anos. Portanto, pelo calendário, três cadeiras ficarão vagas no próximo governo, que começa em janeiro de 2027. Confira as próximas aposentadorias:
Antes mesmo dessas três aposentadorias programadas, há uma cadeira vaga desde a aposentadoria antecipada do ex-ministro Luís Roberto Barroso, em outubro de 2025.
O presidente Lula tentou indicar o advogado-geral da União, Jorge Messias, para a vaga, mas sofreu uma derrota no Senado: 42 votos a 34 contra o nome do auxiliar. Diante do placar, o presidente do Senado, Davi Alcolumbre (União-AP), acertou com a oposição que a escolha ficará para depois das eleições.
A última pesquisa Quaest, divulgada na segunda-feira (7/9), mostra Lula e Flávio Bolsonaro (PL) empatados no 2º turno, com 41% das intenções de voto.
Caso seja reeleito, Lula pode aumentar ainda mais o número de aliados dentro da Supremo Corte. Do atual colegiado, quatro ministros foram indicados pelo petista. São eles: Cármen Lúcia (indicada em 2006), Dias Toffoli (indicado em 2009), Cristiano Zanin (indicado em 2023) e Flávio Dino (indicado em 2024).
Crítico ferrenho da atual conjuntura do STF, Flávio Bolsonaro — caso eleito — pode ter a oportunidade de aumentar a ala “direitista” na Corte. Antes de indiciar o ministro André Mendonça ao STF, o ex-presidente Jair Bolsonaro chamou o à época advogado geral da União de “ministro terrivelmente evangélico”.
Do atual colegiado, Nunes Marques e Mendonça foram indicados pelo pai de Flávio. Para o cientista político Leandro Gabiati, o STF será um das principais pontos a serem analisados pelo eleitor no momento do voto.
De acordo com o especialista, a crise do Banco Master no STF fará o eleitorado olhar com mais atenção também para quem escolherá para o Senado Federal. “Aqueles candidatos mais tendentes a serem a favor do impeachment de ministro, já tiram uma vantagem. Com o caso que nós estamos vendo agora, essa agenda ganha ainda mais força”, analisou Gabiati.
Sobre possíveis indicações de Lula e Flávio ao STF, o cientista político entende que o próximo presidente pode moldar o novo perfil da Corte.
Após conversas entre o banqueiro Daniel Vorcaro e o ministro Alexandre de Moraes virarem à tona, tanto Lula quanto Flávio se manifestaram.
Sem citar diretamente Moraes, em vídeo divulgado na noite de quinta (3/9), Lula defendeu investigações sobre o escândalo. O presidente declarou que a democracia “precisa de instituições fortes e respeitadas” e classificou ser “fundamental que se investigue todo mundo, sem blindagem de ninguém, doa a quem doer”.
Já o candidato do PL, senador Flávio Bolsonaro (RJ), aproveitou o caso para intensificar os ataques ao Judiciário. O parlamentar cobrou a abertura “imediata” de um processo e disse que os senadores estão “anestesiados”.
“É inadmissível que tenhamos pessoas da cúpula do poder deste país suspeitas de vários crimes e isso não seja o assunto principal. É muito preocupante essa espécie de anestesia que estamos pelo Legislativo. Em especial, por parte desta Casa”, disse Flávio, durante discurso no plenário do Senado.
Durante manifestação na Avenida Paulista, nessa segunda-feira (7/9), Flávio defendeu o impeachment de Moraes e chegou a dizer que se eleito vai indicar “cinco ministros” para o STF — as quatro vagas que estarão em aberto e a cadeira de Moraes.
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