Terça-Feira, 03 de Novembro de 2026

DATA: 26/08/2026 | FONTE: campograndenews “Dor imensurável”, diz pai de jovem morto por engano em loja de veículos Maurício da Rosa Orsini fez comunicado a jornalistas após polícia anunciar resultado das investigações

Maurício Orsini, pai de Vitor Orsini, de 19 anos, assassinado a tiros em Dourados, agradeceu às forças de segurança após a Polícia Civil concluir as investigações do caso. Quatro pessoas estão presas, incluindo o mandante Claudio Henrique de Arruda. Vitor foi morto por engano: os pistoleiros o confundiram com o alvo real, um ex-comparsa do tráfico. Dois suspeitos seguem foragidos..

Vitor trabalhava com o pai e conversava com o gerente da loja quando foi alvejado pelas costas. Ele chegou a ser socorrido, mas morreu antes de chegar ao hospital.

Nesta quarta-feira (26), logo após a Polícia Civil apresentar o resultado das investigações, Maurício Orsini fez um comunicado de 5 minutos aos jornalistas que foram à Delegacia Regional da Polícia Civil para a entrevista coletiva. No início, disse que não responderia a perguntas e não fez qualquer menção aos criminosos.

No comunicado, o empresário agradeceu aos policiais e falou da dor enfrentada pela família. “Vim aqui mais para agradecer a quem me apoiou, a quem está apoiando a família, a quem está nos abraçando nessa perda imensurável, nessa dor. Minha criança, meu bebê. A gente vai precisar um pouquinho de sossego agora”, afirmou.

“Primeiramente eu quero agradecer às forças de segurança pelo empenho que tiveram, pelo respeito que tiveram com a minha família. Até agora a gente continua sem entender o porquê aconteceu isso com nós”, disse o empresário.

Maurício falou brevemente do momento vivido por ele, sua esposa e a filha adolescente, irmã de Vitor. “Não nos entendam errado. O que a gente está passando vai demorar um tempo ainda, mas eu fui muito bem amparado, muito bem atendido”. Sobre o trabalho da polícia, disse que terá “agradecimento eterno”, pois o desfecho do caso pelo menos apresentou as respostas que a família tanto esperava.

“Como é que nós íamos viver sem essa resposta, sobre o que aconteceu? Nunca andamos com medo, não andamos olhando para trás. A gente só anda olhando para a frente. Meu filho olhava para a frente, ele não tinha medo de ninguém”.

Ele também criticou comentários feitos em postagens de redes sociais, principalmente de pessoas que especularam falsas teorias sobre o crime. “Não sou muito de olhar as redes sociais, mas acabou chegando coisa do tribunal da internet”.

Maurício disse que Vitor morreu inocentemente fazendo o que ele mais gostava, que era trabalhar. “Viramos uma página agora, era necessário e importante. Ninguém deseja isso para ninguém. Agora, quero um pouquinho de paz para nós”.

Quatro envolvidos no assassinato de Vitor Orsini estão presos – os pistoleiros Denis Barbosa de Melo, de 22 anos, e Alexsander Gonçalves Borges, de 27 anos; um adolescente de 17 anos que deu apoio e furtou a moto usada no crime; e o empresário Claudio Henrique de Arruda, de 43 anos, dono de uma academia de musculação em Ponta Porã e apontado como mandante. Os dois responsáveis pela contratação dos pistoleiros – Jeferson Lopes, de 31 anos, e Marcos Antonio Olmedo Vera, de 23 anos – estão foragidos.

De acordo com a Polícia Civil, foi Claudio que armou a emboscada para matar um ex-comparsa do tráfico de drogas, residente em Dourados. Esse alvo, identificado como Adriano, deveria ir à loja às 14h do dia 7 de agosto para ver um carro, a mando de Claudio.

Mas ele não apareceu na loja e os pistoleiros mataram Vitor achando que era o Adriano, que tem 20 anos a mais que o rapaz morto. Alexsander Gonçalves Borges, que pilotou a moto usada no crime, disse à polícia que estava sob efeito de droga quando apontou Vitor como o homem a ser executado.

Adriano foi ouvido pela Polícia Civil e alegou desconhecer o plano para matá-lo. Disse que Claudio lhe deve R$ 300 mil e que esse pode ser o motivo da emboscada, embora tenha alegado que não vinha pressionando o ex-comparsa para receber a dívida. A polícia ainda investiga se esse seria de fato o motivo da tocaia para Adriano ou se o plano envolve desavenças sobre o comércio de drogas. Claudio ficou em silêncio ao ser interrogado sobre o caso.

 

 

Por Helio de Freitas, de Dourados

 

 

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