
Mesmo após autoridades bolivianas anunciarem o controle de uma frente de incêndio próxima a Puerto Busch, dados de satélite ainda apontavam quatro eventos de fogo ativos neste domingo (19.jul) na região de fronteira entre o Brasil e a Bolívia, em Corumbá.
Monitoramento é feito pelo Painel do Fogo, ferramenta do Censipam (Centro Gestor e Operacional do Sistema de Proteção da Amazônia), que reúne imagens de satélite para identificar a localização, a dimensão e a evolução das ocorrências.
Esses quatro eventos localizados entre Forte Coimbra e o Parque Nacional Pantanal de Otuquis possuem áreas de influência que, somadas, chegam a 13.719,94 hectares. O número não representa necessariamente a extensão já queimada, mas a área em torno das detecções acompanhada pelo sistema.
O maior e mais antigo dos eventos foi identificado às 1h23 de quinta-feira (16), na divisa entre os dois países. A área de influência é de 4.804,81 hectares e alcança seis imóveis registrados no CAR (Cadastro Ambiental Rural).
Na tarde do primeiro dia, o sistema chegou a registrar 66 focos de calor associados à ocorrência. Neste domingo, o número havia caído para quatro, indicando perda de intensidade na área. A última detecção ocorreu à 1h21.
Outro evento, identificado na tarde de sexta-feira (17), possui área de influência de 1.218,81 hectares e alcança três imóveis com cadastro rural. A ocorrência começou com 22 detecções e registrou duas no sábado. Apesar de permanecer classificada como ativa, a última marcação do satélite ocorreu às 16h de sábado.
A atividade mais intensa neste domingo estava concentrada em outros dois eventos. Um deles, com área de influência de 4.669,95 hectares, chegou a registrar 49 focos durante a madrugada de sábado e ainda apresentava 32 detecções neste domingo.
O quarto evento começou na madrugada de sábado, possui área de influência de 3.026,37 hectares e alcança dois imóveis registrados no CAR. O sistema indicava 58 focos associados à ocorrência.
A presença das áreas de influência sobre propriedades rurais não permite identificar onde o fogo começou nem atribuir responsabilidade aos proprietários. Os dados mostram apenas que as detecções alcançam regiões nas quais existem imóveis inscritos no cadastro ambiental.
Área de queimada detectadas por satélites (Foto: Reprodução)
Instalações na Bolívia - Do lado boliviano, militares foram mobilizados para impedir que as chamas chegassem à estrutura portuária e industrial de Puerto Busch, próxima ao Parque Nacional Pantanal de Otuquis.
Segundo publicação do Quinto Distrito Naval Santa Cruz, o incêndio chegou a aproximadamente um quilômetro da Capitania de Puerto Mayor Busch. Três equipes de militares, veículos, um caminhão, um carro de combate a incêndio e equipamentos especializados foram enviados à região.
A Marinha Boliviana afirmou que os militares realizaram cerca de cinco horas de trabalho contínuo até conseguir “controlar y sofocar el incendio”, ou controlar e apagar aquela frente de fogo.
Conforme a publicação, a ação evitou que as chamas atravessassem a estrada e atingissem instalações da capitania, da ASPB (Administração de Serviços Portuários da Bolívia) e da ESM (Empresa Siderúrgica do Mutún).
A corporação destacou que conseguiu conter o avanço, “evitando que las llamas cruzaran la carretera”, mas informou que as equipes permaneceram no local para realizar monitoramento e vigilância preventiva.
O anúncio boliviano se refere a uma frente específica próxima a Puerto Busch. Os dados do Censipam mostram que outras áreas da região continuavam com detecções de fogo neste domingo.
Brigadistas bolivianos em área de incêndio no Pantanal (Foto: Facebook/La Armada En Acción)
Risco máximo - Os incêndios avançam em uma área onde as condições meteorológicas e da vegetação permanecem favoráveis à propagação das chamas.
Dados do Inpe (Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais) referentes a sábado apontaram risco de fogo de 0,91 nas proximidades de Forte Coimbra e índice 1, o valor máximo da escala, em pontos da região de Otuquis.
Em parte do recorte analisado entre os dois países, 61% dos pontos válidos estavam com risco máximo, enquanto aproximadamente 73% apresentavam índice igual ou superior a 0,9.
O modelo não mostra a extensão do incêndio já existente. O indicador estima a facilidade de o fogo começar ou se espalhar, considerando fatores como chuva acumulada, temperatura, umidade do ar, vegetação e características do terreno.
Outro arquivo do Inpe mostrou umidade relativa entre aproximadamente 25% e 32% na faixa de fronteira durante a tarde de sábado. O ar seco, combinado ao calor e aos ventos, reduz a umidade da vegetação e dificulta o controle dos incêndios.
Fogo havia sido identificado inicialmente na região de Forte Coimbra, em Corumbá, durante a madrugada de quinta-feira. No sábado, o CBMMS (Corpo de Bombeiros Militar de Mato Grosso do Sul) informou que 12 militares e três viaturas atuavam diretamente no combate, além das equipes responsáveis pelo apoio logístico.
Por Kamila Alcântara
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