Segunda-Feira, 01 de Junho de 2026

DATA: 01/06/2026 | FONTE: Globo Rural Arrendatários e grandes produtores puxam inadimplência no campo Bancos são os maiores credores dos produtores inadimplentes

O endividamento segue crescente no campo, mas alguns perfis de produtores estão mais sufocados que outros. Levantamento divulgado hoje (01.mai) pela Serasa Experian mostra que arrendatários, produtores pertencentes a grupos familiares ou econômicos e grandes produtores individuais terminaram 2025 liderando os níveis de inadimplência no crédito rural.

A análise considera dívidas de pessoas físicas da população rural brasileira vencidas há mais de 180 dias e que tenham sido contraídas com empresas de setores relacionados ao agronegócio.

Segundo a Serasa, os produtores rurais sem informação de registro rural — o que costuma incluir arrendatários ou participantes de grupos familiares ou econômicos — registraram o maior nível de inadimplência do quarto trimestre do ano passado, de 9,9%.

Na segunda posição, os grandes proprietários de terras aparecem com inadimplência em 9,8%, seguidos pelos médios (8,3%) e pelos de produtores de pequeno porte (7,8%).

“O perfil do crédito rural, marcado por tíquetes mais altos, prazos mais longos e maior exposição financeira, faz com que poucos inadimplentes concentrem montantes expressivos de dívida, ampliando o risco mesmo em um cenário de taxa [de juros] relativamente controlada”, afirma Marcelo Pimenta, head de agronegócio da Serasa Experian.

Apesar das diversas formas de financiamento existentes no mercado, os bancos ainda são os maiores credores dos produtores inadimplentes. Já as dívidas atrasadas tomadas com companhias do agro, como revendas de insumos e tradings, têm maior valor, embora sejam menos representativas do total.

O valor médio das dívidas dos inadimplentes com instituições financeiras atingiu R$ 115,5 mil no quarto trimestre, enquanto os débitos dos inadimplentes rurais junto a outros financiadores do agro chegou a R$ 138,2 mil.

Cenário do trimestre

Ao todo, a inadimplência da população rural chegou a 8,2% no último trimestre do ano passado, alta de 1 ponto percentual comparada ao mesmo período de 2024. Na comparação trimestral, o avanço foi mais ameno, de 0,2 ponto percentual.

“Apesar de sinais de estabilização em alguns segmentos, a inadimplência no agronegócio segue em alta gradual, com produtores ainda enfrentando margens apertadas e fluxo de caixa pressionado, diante de custos elevados, preços voláteis e crédito mais seletivo”, explica Pimenta.

O descontrole de dívidas é o que tem levado o setor a uma disparada nos pedidos de recuperação judicial.

Crise persiste em 2026

O levantamento da Serasa detalha as dívidas dos produtores rurais até o fim do ano passado, mas em 2026 este cenário ainda não mudou — ao menos entre os débitos de crédito rural.

Na última semana, o Banco Central (BC) informou que a inadimplência no crédito rural para pessoas físicas no Brasil em abril chegou a 7,4% da carteira total de recursos direcionados, oriundos dos depósitos à vista e da poupança rural.

O índice é um dos mais altos da história, atrás apenas do patamar de fevereiro deste ano (7,6%), de acordo com as Estatísticas Monetárias e de Crédito do BC. Em março, após o pico de fevereiro, a inadimplência dos produtores rurais pessoas físicas havia recuado para 7,1%.

O cenário é pior nas operações com taxas de mercado. Nessa modalidade, a inadimplência chegou a 13,3% das operações em abril. Nas taxas reguladas, o índice atingiu 3,1%, o mais alto da série histórica, iniciada em 2011, igualando os índices de outubro de 2017 e março de 2018.

 

Por Nayara Figueiredo — São Paulo

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