Quinta-Feira, 09 de Abril de 2026

DATA: 09/04/2026 | FONTE: campograndenews Corpos de jovens mortos em tribunal do crime no MT chegam de madrugada em MS Empresa onde os jovens estavam alojados divulgou nota afirmando que providenciou traslado e negou omissão

Os corpos de Wagner Felipe Rocha Viana, de 20 anos, Wilquison Eduardo Rocha Viana, de 23, e Breno Gabriel Soares Cabral, de 21, mortos após serem submetidos a um chamado “tribunal do crime” em Campo Novo do Parecis (MT), devem chegar a Mato Grosso do Sul durante a madrugada desta sexta-feira (10.abr). A previsão é que o traslado, feito em dois veículos, chegue por volta da 0h.

No decorrer do deslocamento, a empresa Metafer, onde os jovens estavam alojados e prestavam serviço na montagem de um estande para um evento agropecuário, divulgou nota afirmando que providenciou o traslado e negou omissão no caso. “Desde o primeiro momento, adotamos todas as medidas cabíveis para prestar apoio, tendo inclusive providenciado o traslado e a liberação junto à funerária local”, diz o comunicado.

A manifestação ocorre após familiares afirmarem que precisaram organizar vaquinhas para custear o transporte dos corpos, estimado em R$ 12,5 mil para uma das famílias. Irmã de Wagner e Wilquison, Kamila Viana declarou que não houve suporte por parte da empresa. “Estamos precisando de ajuda para trazer o corpo dos meninos de volta. A empresa pela qual eles foram contratados não está dando nenhum suporte”, relatou.

A mãe de Breno, Elaine Cristina Soares, de 42 anos, disse que, ao procurar os responsáveis, foi informada de que poderiam utilizar o salário do filho para pagar o traslado. “Quer dizer que meu filho foi trabalhar para morrer? Foi para pagar o próprio enterro?”, lamentou. Ela ainda afirmou que recebeu orientação sobre a urgência do transporte, já que o caixão viria lacrado e não poderia permanecer por muito tempo nessas condições.

Na nota, a Metafer afirma que optou por atuar de forma discreta por estar seguindo orientações jurídicas e que “jamais houve omissão”, seja em relação às autoridades ou às famílias. A empresa também alegou que os jovens foram contratados para um serviço pontual e que não possuíam vínculo formal, mas que, mesmo assim, prestou apoio diante da gravidade da situação.

Os três jovens estavam desaparecidos desde a madrugada de sábado (04.abr), quando sumiram do alojamento de trabalhadores. Um colega relatou que viu o trio por volta de 0h40, ainda acordado, conversando e fumando. Pela manhã, quando o expediente começaria às 7h, eles já não estavam mais no local. Pertences pessoais ficaram no alojamento, incluindo o celular de Wagner, que permaneceu no carregador.

Peritos escavam área onde os corpos dos três jovens foram encontrados enterrados em vala na zona rural de Campo Novo do Parecis (Foto: Divulgação / PCMT)

Os corpos foram encontrados na tarde de terça-feira (07), enterrados em uma vala na zona rural do distrito Marechal Rondon, em Campo Novo do Parecis. Conforme o delegado responsável pelo caso, Guilherme Kaiper, o crime está ligado diretamente à atuação de facções criminosas. Segundo ele, os jovens foram chamados para jogar sinuca e, por serem de fora, despertaram desconfiança de integrantes do grupo que domina a região.

O delegado explicou que analisou os celulares das vítimas e, supostamente, havia conteúdos que indicariam ligação com o Primeiro Comando da Capital (PCC), enquanto a região era dominada pelo Comando Vermelho. Ainda conforme Kaiper, houve chamada de vídeo no contexto do tribunal do crime e os jovens foram “decretados”, quando se emite a ordem de execução.

As vítimas teriam sido levadas para uma estrada vicinal, onde foram amarradas e amordaçadas. Elas foram asfixiadas com corda e sofreram golpes de faca no pescoço antes de serem enterradas juntas em uma cova com mais de um metro de profundidade.

A Polícia Civil identificou quatro pessoas como participantes diretas do crime. Duas já estão presas, sendo uma delas um adolescente de 16 anos. Segundo o delegado, os dois confessaram participação e outras pessoas ainda são investigadas, inclusive por terem ajudado no transporte das vítimas.

As famílias afirmam que os filhos não pertenciam a facção. A identificação oficial e a liberação dos corpos ficaram sob responsabilidade da Politec (Perícia Oficial e Identificação Técnica) de Mato Grosso. Em nota, a Metafer afirmou que segue colaborando com as autoridades e que permanece à disposição dentro dos limites legais.

 

Por Dayene Paz e Bruna Marques

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