Quarta-Feira, 04 de Novembro de 2026

DATA: 03/04/2026 | FONTE: campograndenews Bernal atirou para matar, conclui polícia em relatório enviado à Justiça Parte da ação ocorre fora do alcance das câmeras e perícia vai determinar se pacifica tese de execução

O ex-prefeito Alcides Bernal, de 60 anos, atirou para matar o fiscal tributário estadual Roberto Carlos Mazzini, 61, na tarde do dia 24 de março. É o que concluiu a Polícia Civil, no relatório enviado nesta quinta-feira (02.abr) à Justiça, último dia do prazo legal para finalizar investigação, uma vez que o acusado está preso.

No inquérito relatado, um dos delegados do caso, Danilo Mansur, mantém o enquadramento de Bernal por homicídio qualificado, por recurso que dificultou a defesa da vítima, e por porte ilegal de arma de fogo, uma vez que o registro do revólver calibre 38 utilizado por ele e a autorização para andar armado estavam vencidos desde 2018 e 2019, respectivamente.

Conforme apurado pela polícia acerca da dinâmica dos fatos, por volta das 13h, a vítima chegou ao imóvel da Rua Antônio Maria Coelho, no Jardim dos Estados, acompanhada de um chaveiro e teve acesso à residência após a abertura do portão social. Cerca de 40 minutos depois, Alcides Bernal aparece, estaciona o veículo na rua e, antes de entrar, pega um revólver dentro da caminhonete.

O ex-prefeito caminha já com a arma na mão até o portão, entra no imóvel e, em poucos segundos, após avançar em direção à área interna, fazendo o primeiro disparo. “Analisando as imagens, é possível notar claramente que o autor, quando chega no local, desce da caminhonete e pega o revólver na porta do veículo. Ele anda da caminhonete até o portão social, sempre com a arma na mão, entra na garagem, dá sete passos em direção à porta de entrada da casa, aponta o revólver para frente e efetua o primeiro disparo”, diz o texto.

Desde que se entregou à polícia, Bernal alega que agiu para se proteger e defender o imóvel onde supostamente mora e mantém escritório de advocacia. “Invadiu minha casa e estava invadindo novamente”, afirmou sobre a vítima. “Eu dei os tiros e não foi para matar, porque ele veio para cima de mim, uma pessoa que eu não conheço, nunca vi”, completou durante o interrogatório. A defesa argumentou que o cliente atirou por reflexo, com o intuito de se proteger.

Carro funerário e policiais militares no local do crime: casa na Rua Antônio Maria Coelho, no Jardim dos Estado (Foto: Renan Kubota)

O problema é que parte da ação ocorre fora do alcance das câmeras, onde estavam Roberto Carlos e o chaveiro. Segundo o relato do prestador de serviço, a vítima não teve tempo para reagir. O chaveiro afirma que ergueu as mãos e se identificou, enquanto o autor se aproximava da vítima caída, ainda com a arma apontada, momento em que conseguiu fugir do local.

O depoimento da testemunha e as imagens contradizem as alegações de Bernal, que em interrogatório alegou ter atirado para frear ataque por parte de Roberto.

“Segundo o chaveiro, após abrir o portão social, ele e a vítima foram até a porta de entrada da casa. Enquanto tentava abrir a fechadura, escutou uma voz que dizia: ‘o que você tá fazendo aqui na minha casa seu filho da p...?’ Ao se virar, viu o autor na varanda empunhando uma arma de fogo em direção à vítima, tendo efetuado o primeiro disparo. Ao ser atingido, o senhor Roberto Mazzini caiu ao chão com a barriga voltada para cima. O autor continuou andando em direção à vítima, momento em que o chaveiro ergueu as mãos e disse: ‘sou apenas o chaveiro, tô fazendo meu trabalho!’ Ainda segundo o chaveiro Maurílio, o autor se aproximou da vítima, se abaixou e, com o revólver apontado em direção à barriga do senhor Roberto, começou a dizer algumas frases que ele não conseguiu compreender. Aproveitando-se da distração do autor, o chaveiro fugiu do local”, continua o relatório.

O delegado da 1ª DP (Delegacia de Polícia), que esteve no local dos fatos, faz uma única observação no documento. O laudo pericial das imagens de câmera de segurança ainda não está pronto. Esta perícia pode significar reviravolta no caso, já que a vítima não aparece no vídeo quando recebe os tiros, por estar em ponto cego, e a dinâmica do atirador, se houve aproximação e segundo disparo a queima-roupa, vai pacificar a tese de execução ou dar margem para a alegação de legítima defesa.

“Os exames periciais no local do crime, especialmente o de análise quadro a quadro da câmera de monitoramento instalada na garagem da residência, o necroscópico e o realizado na camisa da vítima, para verificar a distância em que foi realizado o segundo disparo, nos possibilitarão afirmar, com maior precisão, como ocorreram os fatos”, destaca Danilo Mansur, informando que assim que receber o resultado dos exames, enviará relatório complementar ao juízo.

 

Por Anahi Zurutuza

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