
A escalada do conflito envolvendo Irã, Estados Unidos e Israel já provoca reflexos diretos no campo. A disparada do preço internacional do petróleo tem elevado o valor do diesel e gerado preocupação no agronegócio de Mato Grosso do Sul, especialmente no momento da colheita.
O Oriente Médio é um dos maiores produtores de petróleo do mundo. O diesel é produzido a partir do petróleo, com isso, qualquer problema que afete a produção ou o transporte desse recurso acaba influenciando no preço do combustível.
O barril do petróleo tipo Brent registrou forte alta em poucos dias. Em 1º de março, a cotação estava em US$ 80. Já no dia 9 de março, o valor saltou para US$ 119,46.
Para o setor produtivo, o impacto é imediato. O presidente do Sindicato Rural de Campo Grande, Rochedo e Corguinho, José Eduardo Duenhas, alerta que o aumento do diesel eleva diretamente o custo de produção agrícola.
“Isso impacta demais no custo de produção, porque o diesel é em torno de 7% do custo de produção. Além disso, nós temos impacto forte na cadeia de transporte e logística dos grãos, principalmente na colheita. Esse conflito entre Irã e Estados Unidos que mandou o preço do barril para 90, 100 dólares impacta demais o setor e realmente é muito preocupante. Nós vamos ter que sensibilizar o governo para tentar mitigar essa situação”, afirmou.
De acordo com levantamento da ANP (Agência Nacional do Petróleo, Gás Natural e Biocombustíveis), realizado entre os dias 1º e 7 de março, o diesel em Mato Grosso do Sul já apresenta variações significativas, com preço máximo de R$ 7,17 e mínimo de R$ 5,98. O valor médio registrado ficou em R$ 5,98.
Segundo a Aprosoja/MS (Associação dos Produtores de Soja de Mato Grosso do Sul), a preocupação é ainda maior porque o aumento ocorre em um momento crítico do calendário agrícola: a colheita da soja e o plantio do milho segunda safra.
“Esse ritmo intenso exige grande uso de máquinas e uma logística constante dentro e fora das propriedades. Nesse contexto, o diesel é um insumo fundamental pois ele é responsável por movimentar as colheitadeiras, tratores e plantadeiras, além de ser essencial para transportar insumos e levar a produção até armazéns. Por isso, quando o preço do combustível sobe, o impacto é sentido diretamente nos custos de operação e também no valor do frete", disse.
A Aprosoja Brasil manifestou preocupação com a possibilidade de interrupção no fornecimento de diesel.
“A Aprosoja Brasil expressa preocupação com a gravidade da interrupção do fornecimento de diesel às propriedades rurais em pleno período de colheita da soja e o cultivo do milho segunda safra. A entidade alerta para o risco de oportunismo por parte de fornecedores que, diante da escassez, podem elevar preços de forma abusiva. Esse movimento pressiona os custos de produção, encarece o transporte de mercadorias e pode resultar em inflação de alimentos, além de perdas irreversíveis de produção que não venha a ser colhida”, diz o comunicado.
A entidade pontuou ainda que diante desse cenário de guerra, a alternativa é tentar reduzir a dependência do produto. "É urgente avançar no aumento da mistura de biodiesel, reduzindo a dependência externa, e ampliar o uso do etanol na matriz energética, inclusive no transporte de cargas e em máquinas agrícolas", completou.
Segundo o diretor-executivo do Sinpetro-MS (Sindicato do Comércio Varejista de Combustíveis, Lubrificantes e Lojas de Conveniência de Mato Grosso do Sul), Edson Lazarotto, ainda não há informações sobre a falta do produto.
"Apesar do diesel ser o produto mais afetado com relação à guerra, porque nós importamos próximo de 40%, no momento não há nenhuma informação que possa dizer ou falar alguma coisa que faltará produto, nem gasolina, nem diesel", finalizou.
O Campo Grande News também entrou em contato com a Famasul (Federação da Agricultura e Pecuária de Mato Grosso do Sul) e aguarda o retorno.
Por Izabela Cavalcanti
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