
O ex-companheiro de Ereni Benites, de 44 anos, Juares Fernandes, de 52 anos, confessou à polícia que usou um desodorante aerossol e um isqueiro para atear fogo na casa onde ela estava e provocar sua morte. O caso ocorreu na madrugada de domingo (8), na aldeia Tekoha Paraguassu, em Paranhos.
Ereni foi encontrada morta e carbonizada dentro de uma casa de madeira que estava em fase de construção. Conforme apurado, a vítima ainda estava viva quando o imóvel começou a ser consumido pelas chamas.
De acordo com a Polícia Civil, durante a investigação, diversos depoimentos foram colhidos e indícios passaram a apontar para a possível participação do ex-companheiro da vítima.
As informações levantadas permitiram a reconstrução preliminar da dinâmica dos fatos. Conforme a apuração, Ereni havia deixado o local onde estava ingerindo bebidas alcoólicas e se deslocado até sua residência para dormir momentos antes do início do incêndio.
Diante das provas reunidas e das contradições apresentadas durante os depoimentos, o suspeito foi novamente interrogado. Confrontado com os elementos já obtidos e sem conseguir sustentar outra versão dos fatos, ele acabou confessando o crime.
No depoimento, ele afirmou que provocou o incêndio na residência usando um desodorante aerossol e um isqueiro. Segundo o próprio relato, as chamas se espalharam rapidamente. Após a confissão, policiais civis fizeram novas diligências e localizaram, nas proximidades do local do crime, os dois objetos utilizados para iniciar o fogo.
O delegado responsável pelo caso, Sidney Pinheiro de Queiroz, representou pela prisão preventiva do autor, com parecer favorável do Ministério Público. O suspeito permanece à disposição da Justiça.
Ereni Benites é a sétima vítima de feminicídio registrada em Mato Grosso do Sul em 2026.
Desodorante aerossol e isqueiro apreendidos pela perícia (Foto: Direto das Ruas)
Entenda o caso - Segundo o delegado, o suspeito também se ausentou do local justamente no período em que o incêndio aconteceu.
“Ele revelou aos filhos que estava se sentindo rejeitado, desamparado. Que ninguém gostava dele. No momento em que teve o incêndio ele se ausentou, e esse tempo coincide com a ausência dele”, afirmou Sidney Pinheiro de Queiroz.
De acordo com a investigação, o casal estava separado há cerca de quatro anos. Mesmo assim, o suspeito continuava frequentando a casa da vítima e insistia em reatar o relacionamento.
“Ele ia diversas vezes na casa dela, ela se sentia incomodada, mas nunca havia registrado boletim de ocorrência”, disse o delegado.
Ereni já estava em outro relacionamento e, conforme a polícia, o ex-companheiro demonstrava ciúmes.
Corpo completamente carbonizado após incêndio em casa. (Foto: Divulgação)
A casa onde a vítima foi encontrada era de madeira e estava sendo construída por ela. Próximo ao local há outro imóvel onde moram vários familiares.
Segundo o delegado, o suspeito estava na residência desde cedo no dia do crime. Apesar de morar com a mãe em outro endereço, ele frequentava o local com frequência sob a justificativa de visitar os filhos.
O capitão da aldeia chegou a aconselhar o homem a deixar a vítima em paz. “Ele ficou fora alguns meses, trabalhando em algumas fazendas. No dia dos fatos houve esse encontro de todos nessa casa”, explicou o delegado.
Na noite do crime, Ereni estava inicialmente na casa onde os familiares estavam reunidos, junto com o suspeito. Em determinado momento, ela saiu com outras mulheres e foi até o imóvel que estava construindo.
Mais tarde, voltou rapidamente à casa onde estavam os parentes para buscar um tomate. Nesse momento estavam no local o suspeito, um dos filhos do casal e outro familiar.
Após pegar o alimento, ela retornou à casa em construção para dormir. Testemunhas afirmaram que o ex-companheiro foi atrás dela. Pouco tempo depois, o incêndio começou.
“Então mais tarde teve esse incêndio. Durante diligências, no trajeto das duas casas tinha um isqueiro que foi apreendido”, relatou o delegado.
Testemunhas que perceberam o fogo afirmaram que o incêndio foi criminoso. Moradores chegaram a fazer buscas na região na tentativa de encontrar algum suspeito, mas ninguém foi localizado.
Na manhã de domingo, equipes da Polícia Civil e da perícia estiveram no local. À tarde, os investigadores retornaram para identificar testemunhas e reunir novas informações.
“Tivemos essas informações, as peças foram se juntando e vimos evidências apontando para ele como suspeito”, afirmou Sidney.
O corpo da vítima estava completamente carbonizado. Apenas exames necroscópicos poderão indicar se Ereni sofreu algum tipo de agressão antes de morrer.
O caso foi registrado inicialmente como incêndio com vítima fatal, mas depois foi reclassificado como feminicídio majorado pelo uso do fogo. Ereni e Juares tinham três filhos em comum.
Por Bruna Marques
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