Segunda-Feira, 23 de Fevereiro de 2026

DATA: 23/02/2026 | FONTE: campograndenews Árbitra de MS sofre ataques machistas ao não marcar pênalti em jogo do Paulistão Após a derrota, zagueiro do Bragantino questionou a capacidade de Daiane Muniz para apitar a partida

A árbitra de Três Lagoas, Daiane Caroline Muniz dos Santos, de 37 anos, foi alvo de ataques machistas na noite deste sábado (21.fev), ao apitar a partida entre Bragantino e São Paulo. Durante coletiva de imprensa, o zagueiro Gustavo Marques, do Red Bull Bragantino, disse que a sul-mato-grossense “não tem capacidade de apitar um jogo desse”. A FPF (Federação Paulista de Futebol) informou que encaminhará o caso ao Tribunal de Justiça Desportiva.

A partida apitada por Daiane era válida pelas quartas de final do Paulistão 2026, em que o São Paulo Futebol Clube saiu vitorioso por 2 a 1. O duelo ocorreu no Estádio Cícero Souza Marques, em Bragança Paulista (SP). Nos minutos finais, Juninho Capixaba (Bragantino) e Bobadilla (São Paulo) disputavam a bola dentro da área da equipe tricolor, quando Capixaba caiu e passou a pedir pênalti. A árbitra entendeu que houve apenas contato normal entre os jogadores e não marcou a penalidade.

O VAR (árbitro assistente de vídeo) também não recomendou a revisão do lance. Após a derrota, Gustavo Marques criticou a arbitragem durante a coletiva de imprensa, realizada ainda no gramado. À TNT Sports, o autor do único gol do Bragantino afirmou: “Não adianta a gente jogar contra São Paulo, Palmeiras, Corinthians e colocarem uma mulher para arbitrar um jogo deste tamanho”.

Em seguida, o zagueiro declarou: “Acho que ela não foi honesta pelo que ela fez [...] ela acabou com o nosso jogo. Acho que a Federação Paulista tem que olhar para um jogo desse tamanho e não colocar uma mulher [...] do tamanho dela. Eu acho que ela não tem capacidade de apitar um jogo desse”, finalizou.

Em nota, a Federação Paulista de Futebol afirmou que recebeu a entrevista com “profunda indignação e revolta”. A declaração de Gustavo foi classificada como “uma visão primitiva, machista, preconceituosa e misógina”, conforme o texto.

Ainda segundo a entidade, é estarrecedor que o atleta questione a capacidade de um árbitro com base no gênero. “A FPF tem orgulho de contar em seu quadro com 36 árbitras e assistentes e continua trabalhando ativamente para que esse número cresça. Daiane Muniz é uma árbitra FPF/CBF/FIFA da mais alta qualidade técnica, correta e de caráter. A FPF reforça total apoio a Daiane e a todas as mulheres que atuam ou desejam atuar em qualquer área do futebol. Nosso trabalho diário é para garantir que o futebol seja um ambiente seguro e justo para todas as mulheres”, finaliza a nota.

Por Clara Farias

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