Sexta-Feira, 13 de Fevereiro de 2026

DATA: 13/02/2026 | FONTE: g1.globo.com Correios deixaram de pagar R$ 3,7 bilhões a fornecedores, empregados e em tributos Falta de pagamentos fez parte de política de atrasos propositais no cumprimento de compromissos. Entre os débitos não quitados, está dívida de R$ 1,4 bilhão com a Previdência.

Os Correios deixaram de pagar R$ 3,7 bilhões em obrigações com fornecedores; com o fundo de pensão, o Postalis; com o plano de saúde dos funcionários, o Postal Saúde; e em tributos federais.

 

As informações foram divulgadas em um documento de análise da situação da empresa a que o g1 teve acesso com exclusividade.

 

Ao longo dos últimos anos, os Correios vêm sofrendo de seguidas crises econômico-financeiras que impactaram diretamente o desempenho da empresa.

 

Em função disso, vários planos de recuperação foram anunciados e um Comitê Executivo de Contingência, vinculado à presidência da estatal, foi criado em junho para lidar diretamente com a crise.

 

Entre as decisões tomadas por este comitê foi a criação de uma política de postergação, ou seja, de atraso proposital no pagamento de obrigações em razão de um fluxo de caixa afetado por redução de receitas nos últimos anos.

medida foi tomada para tentar preservar a liquidez e reequilibrar o fluxo de caixa da estatal, que acumula seguidos trimestres em prejuízo.

"A combinação entre a redução da receita e o aumento dos gastos acentuou o desequilíbrio financeiro", justificou a empresa.

Ao todo, foram adiadas as seguintes obrigações:

  • INSS Patronal: R$ 1,44 bilhão;
  • Fornecedores: R$ 732 milhões;
  • Postal Saúde: R$ 545 milhões;
  • Tributos PIS/COFINS: R$ 457 milhões
  • Remessa Conforme: R$ 346 milhões;
  • Postalis: R$ 135 milhões.

A empresa afirma que o adiamento aconteceu em função de um fluxo de caixa negativo. Nos primeiros nove meses de 2025 entraram R$ 16,94 bilhões nas contas e havia uma obrigação de pagar R$ 20,65 bilhões.

"Caso os pagamentos tivessem sido realizados nas respectivas datas de vencimentos, os desembolsos teriam alcançado R$ 19,71 bilhões. Nesse cenário, o resultado seria um déficit operacional estimado em R$ 2,77 bilhões, superior à capacidade de cobertura com os recursos disponíveis no período", afirmou a estatal.

Os Correios ainda ponderaram que parte do problema financeiro está também no acúmulo de dívidas ao longo de 2024 que foram empurradas ao longo dos meses e geraram dívidas ainda maiores para o ano de 2025.

"A expressiva redução das saídas reflete, sobretudo, os efeitos das postergações de pagamentos e as limitações na captação de recursos em dezembro de 2024, que resultou em volume inferior ao originalmente estimado, comprometendo parcialmente a cobertura dos compromissos assumidos para o início do exercício", continua o documento.

A empresa estima uma redução no prejuízo contábil de 2025. Apesar do 3º trimestre ter fechado com um prejuízo de R$ 6 bilhões, um documento da Diretoria Econômica-Financeira (DIEFI) aponta em um prejuízo de R$ 5,8 bilhões para todo o ano de 2025.

Evolução da dívida

Em julho, o g1 publicou uma reportagem apontado para outro documento que trazia o valor da dívida atrasada até então, R$ 2,75 bilhões.

Desde a publicação da primeira reportagem, a dívida dos Correios aumentou em R$ 1 bilhão e os principais afetados foram com:

  • INSS Patronal: R$ 696 milhões a mais (eram R$ 741 milhões);
  • Tributos PIS/COFINS: R$ 249 milhões a mais (R$ 208 milhões);
  • Postal Saúde: R$ 182 milhões a mais (eram R$ 363 milhões);
  • Fornecedores: R$ 80 milhões a mais (eram R$ 652 milhões);
  • Remessa Conforme: R$ 75 milhões a mais (eram R$ 271 milhões).

Os atrasos no pagamento de PIS/COFINS mais que dobraram e a dívida com o INSS Patronal, um tributo obrigatório para financiar aposentadoria dos trabalhadores, quase duplicou em pouco mais de três meses.

 

Por Vinícius Cassela, g1 — Brasília

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