Terça-Feira, 03 de Novembro de 2026

DATA: 17/11/2025 | FONTE: campograndenews PF apreende espingardas usadas por seguranças em ataque que matou indígena Armas serão periciadas para indicar quem efetuou os disparos contra a Retomada Pyelito Kuê

Um ataque à Retomada Pyelito Kuê, em Iguatemi (MS), resultou em duas mortes no domingo. Vicente Fernandes, indígena Guarani-Kaiowá de 36 anos, foi baleado na nuca, e Lucas Fernando da Silva, funcionário de uma fazenda da região, também foi morto em circunstâncias ainda investigadas.A Polícia Federal apreendeu duas espingardas calibre 12 de seguranças da Fazenda Cachoeira e identificou dois suspeitos. Um deles foi preso em flagrante após ser reconhecido por um indígena ferido. O conflito ocorre em área de disputa fundiária, onde mais de 40 indígenas estavam acampados. Dos 12 barracos existentes, 10 foram incendiados durante o ataque.

Com base nesses elementos, dois suspeitos foram identificados. Um deles foi reconhecido por um indígena ferido e levado à DPF (Delegacia de Polícia Federal) de Naviraí para prisão em flagrante.

O ataque deste domingo culminou na morte de Vicente Fernandes, 36 anos, indígena Guarani-Kaiowá, baleado na nuca. Ele vivia há pouco mais de um ano na comunidade e sustentava a família trabalhando na roça. A segunda morte confirmada pela Sejusp (Secretaria Estadual de Justiça e Segurança Pública) é a de Lucas Fernando da Silva, funcionário de uma fazenda da região. Há feridos hospitalizados, segundo autoridades.

A Aty Guasu, principal organização política do povo Guarani-Kaiowá, afirma que mais de 40 pessoas estavam acampadas na área da Fazenda Cachoeira. Dos 12 barracos erguidos, 10 foram incendiados logo após a invasão. Vídeo divulgado pela entidade mostra uma mulher correndo para se proteger enquanto tiros ecoam. Em voz trêmula, ela diz que o grupo pede socorro desde as quatro da manhã.

Cartuchos deflagrados que foram encontrados no local (Foto: Conselho Indigenista Missionário)

Histórico de conflitos — A região vive uma longa disputa fundiária. Em junho, a Funai (Fundação Nacional dos Povos Indígenas) atualizou o grupo responsável por estudar a identificação e delimitação dos territórios Iguatemipeguá II e III, que abrangem quatro municípios do sul do Estado. A retomada ocorria justamente nesse contexto de reivindicação territorial.

Para o MPI (Ministério dos Povos Indígenas), a ação teria sido conduzida por pistoleiros. O governo federal acionou órgãos de segurança, enviou equipes do Demed (Departamento de Mediação e Defesa) e disse acompanhar o caso com atenção. O MPI e a Funai lembraram que, em 3 de novembro, foi criado o GTT (Grupo de Trabalho Técnico), com participação do MDA (Ministério do Desenvolvimento Agrário e Agricultura Familiar) e do MGI (Ministério da Gestão e da Inovação em Serviços Públicos), para debater medidas de mediação em conflitos envolvendo povos indígenas no sul do Estado. As reuniões ocorrem semanalmente.

Segundo o MPI, as retomadas Guarani-Kaiowá se intensificam em resposta ao avanço de agrotóxicos, que estaria causando adoecimento e insegurança hídrica e alimentar. A pasta classificou o assassinato como parte de um cenário de perseguição persistente. A nota oficial encerra com solidariedade à família e à comunidade.

Sejusp no apoio – A Sejusp confirmou as duas mortes e informou que suas equipes atuaram em apoio às forças federais. O suspeito de efetuar os disparos, um indígena também ferido, foi detido pela PM (Polícia Militar) e entregue à PF. A pasta ressalta que a PM não fazia segurança ostensiva na área no momento do ataque. A Polícia Científica acompanha a PF nos exames periciais, incluindo o exame necroscópico.

O secretário de Segurança, Antônio Carlos Videira, disse que o Estado seguirá dando suporte às investigações. O MJSP (Ministério da Justiça e Segurança Pública) informou que a Força Nacional reforçou o patrulhamento na região, numa tentativa de evitar novos confrontos.

Questionada sobre a morte de Lucas Fernando da Silva, confirmada pela Sejusp, a Polícia Federal afirmou, por meio da assessoria de imprensa, que o óbito está registrado, mas ainda passa por investigação para determinar se houve ligação com o confronto. Segundo a corporação, a apuração busca esclarecer se a morte ocorreu no contexto do ataque ou se decorreu de outra circunstância.

 

Por Bruna Marques e Mylena Fraiha

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