Terça-Feira, 03 de Novembro de 2026

DATA: 29/10/2019 | FONTE: Correio do Estado Policial é afastado por espancar adolescente de 13 anos, em Coxim PM abriu procedimento administrativo para investigar o caso, que também é acompanhado pela OAB

Cabo da Polícia Militar, Fabiano Timóteo, suspeito de espancar um adolescente de 13 anos, foi afastado do serviço operacional e a PM abriu processo administrativo para investigar o caso, que também é investigado pela Polícia Civil. Agressão aconteceu na semana passada, em Coxim, e adolescente continua internado na Santa Casa de Campo Grande. Nesta segunda-feira (28), Ordem dos Advogados do Brasil, seccional de Mato Grosso do Sul, manifestou repúdio diante do ato praticado pelo policial e informou que o caso será acompanhado pela entidade.

Caso aconteceu na última quinta-feira (24). Tia do adolescente, Patrícia Neri da Silva, 40 anos, denunciou que estava sentada no quintal de casa, quando ouviu gritos e, ao sair para saber o que estava acontecendo, viu o menino sendo espancado pelo policial. Segundo ela, a agressão teria ocorrido porque, durante brincadeira com outros meninos na rua, uma pedra atingiu o portão da casa da mãe do cabo.

Por conta dos socos, o adolescente teve diversos ferimentos e lesões por todo o corpo. Patrícia afirma que o sobrinho nasceu com um dos rins paralisados e as pancadas desferidas pelo policiais teriam lesionado o outro rim.

“Foi um desespero. Presenciei meu sobrinho sendo surrado. A cena não sai da minha cabeça, ele pedia para o agressor parar e avisava que só tinha um rim”, relembrou a tia, acrescentando que as agressões só pararam quando o menino, caído na calçada, começou a vomitar.

Adolescente teve hemorragia e foi encaminhado para o Hospital Álvaro Fontoura, mas devido a gravidade do quadro, foi transferido no sistema vaga zero para a Santa Casa de Campo Grande, onde permanece internado.

Policial não se manifestou sobre o caso, mas teria dito a terceiros que o menino teria pulado o muro de sua residência

O comando do 5º Batalhão da Polícia Militar afastou o cabo do serviço operacional e a PM abriu procedimento para investigar o caso. Comandante da PM de Coxim, Major Luiz Cesar Herculano disse hoje ao site Edição de Notícias que a instituição não compactua com a violência.

OAB ACOMPANHA

Também nesta segunda-feira, a Subseção de Coxim e a Comissão de Defesa dos Direitos da Criança e do Adolescente da OAB/MS manifestou repúdio as agressões e informou que acompanhará o caso.

Em nota, a seccional afirma que a Constituição Federal e o Estatuto da Criança e do Adolescente asseguram que é dever da família, da sociedade e do Estado assegurar os direitos das crianças e adolescentes e mantê-los a salvo “de toda forma de negligência, discriminação, exploração, violência, crueldade e opressão”.

“Os atos de violência, físico ou mental, merecem pronta resposta, não apenas do Estado, que possui o dever de investigar e punir, mas também dos representantes da PM de Coxim”, diz a OAB em nota.

Reunião foi realizada hoje entre a presidente da Subseção, Valéria Ferreira de Araújo, e o major PM Luiz César de Souza Herculano, onde ele afirmou que a corporação também condena a atitude, enquanto a OAB reitera que espera que todas as medidas legais cabíveis sejam adotadas.

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