QUINTA-FEIRA, 24 DE JUNHO DE 2021
Quinta-Feira, 24 de Junho de 2021

DATA: 09/06/2021 | FONTE: G1 MS
MS vive 'paradoxo' em relação à Covid: Enquanto estado mostra bom desempenho na vacinação, enfrenta caos na Saúde No dia da imunização, infectologista afirma que a vacinação contra Covid com a 1ª dose não significa a proteção completa e que os cuidados devem ser mantidos mesmo após o reforço vacinal. Dentista que já recebeu as duas doses diz estar mais corajosa para as práticas diárias, antes deixadas de lado.
Foto: Reprodução

Ao mesmo tempo em que Mato Grosso do Sul se mostra expoente na vacinação contra Covid, vem enfrentando um momento de caos na Saúde. Pacientes estão sendo remanejados a outras unidades federativas por falta de leitos, e de acordo com o consórcio de veículos de imprensa, é o estado brasileiro com maior índice de aplicação da 1ª dose da vacina contra o coronavírus.

Ilustração mostra cientista segurando ampolas de vacinas contra o coronavírus — Foto: Arte G1

Ilustração mostra cientista segurando ampolas de vacinas contra o coronavírus Foto: Arte G1

Posto o cenário à mesa, o que se vê, frente à análise do secretário estadual de Saúde, Geraldo Resende, é um "verdadeiro paradoxo". Nessa terça-feira (8), Mato Grosso do Sul totalizou 21 envios de pacientes a outros estados, para o tratamento da Covid e acumula mais de 930 mil pessoas vacinadas contra Covid com a 1ª dose.

"A cada 10 sul-mato-grossenses, 3 já receberam a vacina. O número é histórico, os números são para comemorar. Nós estamos vendo um agravamento da pandemia e a vacinação avançando. Estamos fazendo tudo que é possível para ampliar a vacinação e atender as situações da pandemia. É um verdadeiro paradoxo, tem pessoas que seguem caminhos diferentes daqueles apontados pela ciência", evidenciou Resende.

Mesmo com o agravante da pandemia no estado, a vacinação tem se demostrado essencial, tanto que virou jargão político: "em Mato Grosso do Sul, tratamento precoce é vacina no braço".

Os dados do consórcio de veículos de imprensa mostram que 33,41% da população do estado recebeu pelo menos a primeira dose da vacina contra Covid. Já o número de pessoas imunizadas, quando leva em consideração as duas doses, chega a um pouco mais de 13,50% dos sul-mato-grossense.

Com quase cinco meses de campanha de vacinação contra Covid, os números mostram que 938.494 sul-mato-grossenses já receberam a primeira dose. O reforço vacinal foi aplicado em 379.391 cidadãos de Mato Grosso do Sul. Se os dados forem totalizados, conclui-se que 1.317.885 doses já foram aplicadas no estado.

Frente aos números e a realidade do estado, a infectologista Priscila Alexandrino é categórica ao dizer que a imunização contra Covid só pode ser alcançada após as duas doses.

"A vacina produz imunização com a segunda dose e 14 dias depois. Isso que os estudos e bulas das farmacêuticas apontam. Enquanto não estão tomando a segunda dose, as medidas de biossegurança devem ser contínuas", evidenciou a infectologista.

Antes de tudo:

Enquanto a varíola castigava principalmente as crianças, Jenner buscava a solução para a vacina em um vírus semelhante que ocorria em vacas — Foto: Wellcome Collection. Attribution 4.0 International (CC BY 4.0)

Enquanto a varíola castigava principalmente as crianças, Jenner buscava a solução para a vacina em um vírus semelhante que ocorria em vacas — Foto: Wellcome Collection. Attribution 4.0 International (CC BY 4.0)

Nesta quarta-feira (9), dia da Imunização, muito da história da vacina ainda é desconhecida. Antes de muitas pessoas discutirem sobre as duas doses da vacina contra Covid, lá em 14 de maio de 1796, cem anos antes de que o todos soubessem o que são os vírus, o médico inglês Edward Jenner descobriu a primeira vacina, capaz de combater um dos piores deles.

O médico usou o vírus de uma doença adquirida da vaca, que provocava lesões muito similares à varíola, que ele conseguiu criar o medicamento capaz de combater essa doença.

A varíola era uma ameaça à humanidade e a luta contra ela era travada há muito tempo. A descoberta de Jenner ocorreu em uma época obscura para a ciência, quando doenças infecciosas eram justificadas como fruto de forças negativas.

Para Covid, especialista alerta que a imunização 'é só com as duas doses'

"Mesmo com a primeira dose da vacina contra Covid, a imunização contra o vírus só alcançada com as duas doses", deixou claro a médica infectologista, Priscila Alexandrino. Para reforçar, neste dia da Imunização, a especialista avisa: "as medidas de biossegurança devem ser adotadas, mesmo que a pessoa tenha tomado as duas doses, ela pode transmitir".

Os cuidados foram adotados pela dentista, Loriane Ricalde, que já tomou as duas doses da AstraZeneca. Ela recebeu a primeira dose no dia 28 de janeiro, logo que abriu a imunização para os trabalhadores da área da Saúde, em Mato Grosso do Sul.

"Eu fiquei muito feliz em tomar a minha vacina. Antes eu tinha muito medo das situações. Eu fiquei muito emocionada com a minha primeira dose. Tinha uma angústia grande, como sou dentista tenho contato direto com as pessoas e sem máscara", lembrou.

Loriane detalhou o sentimento ao receber a primeira dose do imunizante. "Eu cheguei a chorar, um pouquinho, quando recebi a primeira dose. Eu fiquei extremamente feliz. Me sinto privilegiada por ter tido acesso à vacina, tantas pessoas ainda não puderam se vacinar".

Loriane Ricalde recebeu a primeira dose da AstraZeneca no final de janeiro de 2021 — Foto: Loriane Ricalde/Arquivo Pessoal

Loriane Ricalde recebeu a primeira dose da AstraZeneca no final de janeiro de 2021 — Foto: Loriane Ricalde/Arquivo Pessoal

Até o dia 28 de abril de 2021, dia em que Loriane recebeu o reforço vacinal, a dentista disse que seguiu todas as medidas de biossegurança, pois sabia que não estava completamente imunizada. Para ela, a segunda dose, além de trazer a imunização, trouxe coragem.

 

"Até agora, com a segunda dose, continuo com os cuidados. Antes de receber a vacina, tinha muito medo de passar o vírus para minha família e acabar em um hospital, ou até mesmo morrer. Eu tive a coragem de até ir em um restaurante, tive mais tranquilidade", expressou.

 

Depois de receber as duas doses, Loriane conta que conseguiu visitar os pais com mais segurança e até ir ao mercado com mais confiança, mas sem pestanejar nos cuidados e práticas de biossegurança como o uso de máscaras e álcool em gel.

Loriane falou que ao ver muitos pacientes em estado grave da Covid e até sendo levados para outros estado, ele se sente "muito privilegiada" por ter se vacinado "Ainda é para poucos. Só o fato de eu estar imunizada, é um privilégio muito grande", finalizou.

Este privilégio destacado pela dentista, é frisado pela infectologista Priscila Alexandrino que disse que, os estudos mostram que a imunização contra Covid só pode ser vislumbrada após 14 dias depois da segunda dose. "Mas não é por que está imunizando que pode descuidar. Temos as variantes, temos que ficar atentos e vigilantes, o vírus é cruel", pontou a médica.

 

Dados: Vacinação em Mato Grosso do Sul

 

O G1 separou quatro gráficos que mostram os desempenhos das cidades que mais e menos aplicaram a 1ª dose da vacina contra Covid e do reforço vacinal.

 

Os números mostram que as 10 primeiras cidades que mais aplicaram a primeira dose apresentam índices acima dos 40% da população imunizada parcialmente.

Já quando é olhado para as cidades que menos aplicaram a 2ª dose, os municípios expressam uma baixa menor que 8% da população com o reforço vacinal. Ribas do Rio Pardo (MS), tem a menor taxa de aplicação da segunda dose, com 6,59% da população.

Os dados são do vacinômetro, plataforma do Governo de Mato Grosso do Sul que compila dados da vacinação em cada um dos 79 municípios do estado.

 

Por José Câmara, G1 MS

 



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