QUINTA-FEIRA, 18 DE JULHO DE 2019
DATA: 11/01/2019 | FONTE: G1 MS Transexual de Bonito comemora título de eleitor com nome social: 'Isso significa muito para todas nós' Di Anna conta que já viveu situações de constrangimento em locais de votação, sendo chamada pelo nome de nascimento propositalmente apesar de sua identidade feminina.
Para Di Anna, ter o nome social no título de eleitor é uma grande conquista. — Foto: Arquivo pessoal

Para Di Anna, transexual de 36 anos, ter o nome social nos documentos pessoais é uma vitória. Para isso, em 2018, ela entrou com uma petição junto ao Tribunal Superior Eleitoral (TRE), solicitando a inclusão de seu nome social no título de eleitor. Na última semana, o processo terminou e ela já está com o documento.

Formada em Análises de Sistemas e Filosofia, Di Anna trabalha como consultora de negócios e digital influencer, em Bonito (MS), a 278 km de Campo Grande. Ela escolheu o nome porque ele "representa a força e a pureza do ideal feminino", e fez questão de tê-lo em seu documento eleitoral por conta dos constrangimentos que já passou em locais de votação.

 

“Em uma ocasião, trabalhei como técnica de urna, e a pessoa que estava na zona eleitoral, mesmo sabendo meu nome social, fez questão de me chamar pelo nome de nascimento. Foi de propósito, para me constranger. Agora acabou o constrangimento”, relembra.

 

Ao G1, Di Anna conta que o título de eleitor foi o primeiro dos documentos a ser mudado, mas, já iniciou o processo para mudança de nome e gênero de todos os documentos pessoais, que são permitidos por lei. Ela vê no próprio exemplo uma forma de levar informação para outras pessoas que sentem-se constrangidas por não serem chamadas pelo nome social.

 

 

“Em nome de muitas transexuais que vivem reprimidas, digo que isso significa muito para todas nós, sobretudo para a representatividade”, explica.
De acordo com Di Anna, as pessoas são mal informadas quanto aos seus direitos. â?? Foto: Arquivo pessoal
De acordo com Di Anna, as pessoas são mal informadas quanto aos seus direitos. — Foto: Arquivo pessoal

Moradora de Bonito há 7 anos, ela se diz muito conhecida na cidade por trabalhar com muitas empresas ligadas ao turismo, e acaba conhecendo muitos pessoas passam férias na região. Di Anna acredita que é a primeira transexual da cidade a ter o documento com nome social, pois as informações não são divulgadas em cidades do interior.

 

“Tive que ligar no TRE em Campo Grande e me informar. Muitas pessoas nem sabem que têm esse direito”, explica.

 

Ela conta que ao final do processo, foram impressos dois títulos, um com nome de nascimento e o outro com o nome social. O de nascimento ficou retido, e ela já saiu com o título de eleitor com o nome que escolheu ser chamada:

"Tenho a certeza de que vou poder exercer minha cidadania nas próximas eleições, com muito mais conforto e sem constrangimentos", finaliza. 


* Estagiário supervisionado por Jaqueline Naujorks.

 



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